FAGOCITOSE

FAGOCITOSE

“Para um país de medíocres e uma governança cega,

não diria que ainda haja tempo,

nem mesmo que o tempo que resta se acerta,

mas para quem sempre tentou passar uma visão em versos,

ver acontecer o que uma suposta bola de cristal mágica revelou a 5 anos,

é algo que amarga, desnuda e debocha,

de toda essa farsa de sacanas de bosta”. 

( Reblog de 8/12/2013)

Por Cláudio El-Jabel

E mais uma passagem de ano nos espera,

Sempre com o pensamento de ser essa a nova era,

Ficamos ao marasmo após nele entrar,

Nada muda e continua tudo em seu lugar,

Parece trilha de filme com roteiro definido,

Nunca alavanca nada de novo,

Apenas vemos a multidão crescer,

Sedenta de fome, de sede, de sexo e de drogas,

Uma população perdida para seu futuro,

Onde pensam eles viver o presente é mais seguro,

Um planeta belo que tinha tudo para dar certo

Mas em um teste errado apareceu o humano,

Pior que o vírus que lhe afeta,

Eles definiram sua mira mais certa,

Aproveitar o que der para empilhar,

Cavar o solo na procura do maldito petróleo,

Fator principal de nossa destruição,

Ainda o nomeiam de diamante negro,

Onde nesse único episódio é o que causa mais frisson,

Sem ele nada funciona nada acontece,

Parece até que sem ele tudo padece,

Por ele muitos se matam,

Invadem, destroem, violentam,

Nada temem nada os afetam,

Apenas o vício do poder desse maldito óleo,

Feito dos restos mortais de outros seres,

Parece muito com um filme de terror,

Onde zumbis comem gente,

E no maldito óleo negro de carnes,

Nos mostra a cara de frente a verdade,

Somos vírus de fato que a tudo consome,

O que nos irá levar ao que já sabemos de cor,

Sumirá o homem consumido por si mesmo,

Em uma fagocitose impressionante,

Gente comendo óleo e óleo comendo gente.

seal

Anúncios
Publicado em POEMA | Deixe um comentário

ACOMPANHAR

ACOMPANHAR

 

ACOMPANHAR

por Cláudio El-Jabel

 

Muitas vezes me pergunto se estou perdendo a capacidade de decisão,

Demoro bem mais que meu filho por exemplo a decidir algo,

Ainda não analisei se no caso dele é impulso,

Ou se no meu é lentidão,

Não sou muito de queda de braço, mas irei repensar,

Meu cérebro anda mais lento com certeza,

Percebo mudanças interessantes,

Porém consigo ver mais adiante,

Posso perder na escolha rápida,

Mas ganho quase sempre ao final,

Claro que não é uma disputa,

Isso seria ridículo,

Mas é algo que gostamos de realizar,

Ele mesmo me atiça a participar,

Não pensem que há moleza nessa brincadeira,

É cada qual por si,

Eu refaço tudo aquilo que lembro,

E ele com o que aprendeu,

Muitas coisas com a vida,

Algumas assim como eu,

Na persistência,

Dessa brincadeira percebo que a vida ensina bem mais,

Pois lhe proporciona a experiência vivida e sentida,

Como dizem é na carne que se sente o corte e a dor,

De certa forma isso me alegra muito,

Fico mais tranquilo em saber que mesmo em minha falta,

O aprendizado continuará,

Evoluirá bem mais que o meu,

Irá transcender a barreira visionária que tive,

E viajar bem mais longe que minha mente sonhou ir,

Semeará mais estrelas,

Atravessará novas fronteiras,

E de algum lugar pretendo observar,

Não para interferir,

Mas se me for possível e quando necessário, orientar.

seal

Publicado em POEMA | Marcado com | Deixe um comentário

VIDA FUGAZ

VIDA FUGAZ

VIDA FUGAZ

por Cláudio El-Jabel

 

Hoje foi um dia,

Não como qualquer outro,

Foi aquele que fazemos um balanço,

Relembramos nossa jornada, nossas atitudes,

Nossas vitórias e conquistas,

Nossas mágoas e desilusões,

Nossas amizades durante essa trilha,

Algumas inclusive que se perduram,

Outras que pelo desencontro da mesma se vão,

Mas se vão para um caminho que as fará felizes,

Creio eu que devam com o tempo também relembrar,

Lembrar da infância, da juventude,

Das partidas de jogos, das conversas e festas,

Cada vez mais percebo isso em todos,

Muda-se um pouco a atitude, mas é tudo igual,

As briguinhas bobas de amigos,

Os desenlaces da paquera,

Acreditava ser, mais percebeu que não era,

Alguns com isso ficam um tempo de molho,

Diria magoados pelo ocorrido,

É como as estações das flores,

Logo, logo percebemos novos sorrisos,

É a vida que roda,

Não para um momento se quer,

A vida é viva e vive quem nela quiser,

Saber aproveitar esse momento mágico que nos é ofertado,

É algo complicado a quem nasce sem estrela,

Parece que nasceu apenas para sofrer, será?

Muitos afirmam ser isso uma grande besteira,

Eu ainda não evolui a tal ponto do budismo de pensar,

Não sei se por essa índole guerreira que a tudo quer guerrear,

Em verdade posso afirmar que também tenho um sonho,

Um sonho de todos felizes sem discriminação,

Sem cabresto de dirigentes,

Sem carrascos de punição,

Um sonho diria bem infantil,

Onde todos são sempre gentis uns com os outros,

Havendo sempre uma força de união,

Sem inveja, sem medo, sem ganância, sem hipocrisia,

Ah seria isso apenas uma grande alegria,

Penso que o mal existe por muitos serem bem matemáticos,

Fazem um cálculo rápido da vida,

O tempo que eles tem para enriquecer,

E o pouco que lhes sobra para ousar e viver,

Mas não viver com amor e dignidade,

Viver das mazelas que podem comprar e usar,

Nisso infelizmente sabemos que fazem sem dó,

Gastam inclusive fortunas cheirando pó,

Me pergunto onde está a graça disso,

Viver do submundo escondido,

Comprando com um dinheiro sujo seu poder,

Até que num belo dia e sem aviso,

A morte vem os conhecer.

seal

Publicado em POEMA | Marcado com | 8 Comentários

TRATO FIRMADO

 

TRATO FIRMADO

 

TRATO FIRMADO

por Cláudio El-Jabel

 

 

Faltou,

Faltou tanta coisa,

E de tanta falta não posso afirmar,

Disseram-me que eras tu perfeito,

Que nada lhe fugiria da obra,

E nada me iria faltar,

E eu me pergunto e te encarando,

Com toda minha inocência de observar,

Jogo para ti a pergunta, já que me fizeste em arbítrio,

Onde foi que erraste?

Perceba que te julgo sim em pretérito,

Pois não creio que há mais o que fazer,

Ou seria algo que não deveria apontar?

Falo de igual para ti que me ouve,

E digo nesse tom afirmativo,

Pois a ti certeza tenho,

Nada devo a seu trio,

Posso até dever mesmo é comigo,

Não querendo ser abusado,

Mas gosto de falas claras,

Porque quebrar meu encanto,

Quando permites a outros tantos?

Não faça isso meu amigo criador,

Não se atreva a julgar-me desprovido de força,

Lembre-se parte de ti em mim está,

E por ironia da vida não há como tirar,

Então façamos um trato,

Daqueles velados em puro segredo,

Nada conto aos iguais que encontro,

Sigilo lacrado na promessa fiel,

Sou guerreiro de honra,

Levo comigo essa sina,

Esqueças por momento da semente que atiraste,

E em troca me coloco a seu dispor em qualquer parte,

Faça comigo seu laboratório de intenções,

E tudo que meu corpo e alma lhe propõe.

seal

Publicado em POEMA | Marcado com | 2 Comentários

REVOLTA DA FÉ

REVOLTA DA FÉ

 

REVOLTA DA FÉ

por Cláudio El-Jabel

 

De fato assim sou,

Ora um gentlemen como forma normal de ser,

Ora tudo aquilo outro que nem queiras saber,

Nesses dois lados da personalidade o equilíbrio é primordial,

Mas para que tanto ele haja ou se apresente,

A harmonia deve ser parceira,

Nunca me julgue pela aparência,

Já vou logo afirmando ser isso uma grande besteira,

Eu sou exatamente a essência que me fizeste,

Frágil como um cristal,

Mas posso ser tão feroz como um animal,

Então para que essa disputa entre criador e criatura,

Toma tino e se segura,

Procura se é que tens a sua turma,

Esquece um pouco da gente,

Já fez o que devia,

Jogou suas sementes,

Não tente fazer colheita de fruta que não se come,

Fique sabendo que percebo quando se encosta,

E nem diria ser o tal peso nas costas,

Pois se o fosse carregaria sem reclames,

Mas faça-me um grande favor,

Após esse abandono que é fato e entendido,

Esqueça-nos de vez criador,

E não se faça de desentendido.

seal

Publicado em POEMA | Marcado com | 2 Comentários

CIDADE MARAVILHOSA

CIDADE MARAVILHOSA

 

CIDADE MARAVILHOSA

Por Cláudio El-Jabel

 

Nós como pessoas que somos temos a necessidade de tudo comemorar,

Comemoramos a vida, o descobrir, os novos laços,

Tudo de forma alegre como se o mundo fosse dois passos,

E nessa euforia de saciar nossa vontade de ser feliz,

Muitas vezes esquecemos de tudo que não nos faz assim,

São tudo aquilo que nem vou enunciar,

Pois doe e muito de escrever, de ver e de pensar,

Mas pensamos e isso é inegável,

Podemos nos doutrinar a pensar apenas coisas boas,

Mas me pergunto se isso não seria algo irreal,

Afinal a maldade nos assola e está ao fundo de nosso próprio quintal,

Essas questões e esse pensamento não modifica o nosso dia a dia,

Temos que muitas vezes tentar superar ou mesmo ignorar para viver,

Hoje como uma hipocrisia descabida,

As bestas vampirescas que se apoderaram do poder,

Graças a seu voto, ao meu,

Vieram lembrar da Cidade Maravilhosa,

Que de maravilha já se perdeu faz tempo,

Não há a muito nada que possamos oferecer,

A não ser uma zona de guerra, de terror,

É algo que eu estudo a bom tempo e não percebo solução,

A bem da verdade a solução seria bem cruel,

Coisa que deixamos lá atrás na antiguidade,

Não tenho receio em dizer é de fato aniquilação de verdade,

O problema é que mesmo reconhecendo no seio social o que é correto,

Não posso dar uma de carrasco de forma geral,

Há de se pelo menos dar ouvidos a cada um que esteja do outro lado,

Ouvir seus anseios, sentir sua razão quando há,

Algo muito difícil de se apurar,

Na guerra dos homens, não se matam pessoas,

Matam-se uniformes, bandeiras, ideias, razões,

Na guerra urbana nem isso podemos enfrentar,

Pois o mesmo soldado da lei também tem sua participação,

A desculpa é sempre a mesma de que foi a tal perdida,

Que acha sempre uma vítima, nem sempre envolvida,

Antes eram os trabalhadores,

Hoje são as crianças sem saber,

A maldita bala perdida que sonhos vem desmerecer,

De onde veio não importa, alguém apertou o cão,

E nisso tudo o que mais me desgosta,

É ver vidas perdidas em vão.

seal

 

 

 

Publicado em POEMA | Marcado com , , , , | 8 Comentários

CORDEIROS E DEUSES

CORDEIROS E DEUSES

 

CORDEIROS E DEUSES

por Cláudio El-Jabel

 

O Ser Humano é algo espetacular mesmo,

Ele se arrisca em coisas tão loucas,

Que nem dá para raciocinar,

Imagine voando como um pássaro,

Até perceber a sua asa fechar,

Assim também se dá no mergulho,

Alguns se vão pela coragem,

Esquecem das correntes,

E quando percebem,

Muitas vezes também é tarde,

A sua volta não há gente,

Escalam montanhas absurdamente mortais,

De certo muitos por lá ficam,

Mas uma outra grande parte,

Volta ao encontro de mortais,

Esse instinto de aventura,

De não temer o desconhecido,

É exatamente a parte deidade,

Aquelas que todos nós carregamos,

Afinal e a bem da verdade,

Devemos saber,

Que além de criadores,

Também somos criaturas,

Por esse motivo nossa vida é uma eterna aventura.

seal

Publicado em POEMA | Marcado com | 4 Comentários

CIDADE ABANDONADA

CIDADE ABANDONADA

 

CIDADE ABANDONADA

por Cláudio El-Jabel

 

 

Até pensei em dar uma de repórter,

Mas desisti,

Acredito que interessa mais ao prefeito,

Que deixou a cidade para ver de perto o perfeito,

Sair da cidade que comanda em plena época de grande concentração,

É de fato fazer pouco caso da justiça falha que temos,

Que não pune a tudo que vemos,

Não chamarei de salafrário,

Mesmo porque é insignificante pra mim,

Mas para o povo do Rio abandonado, sofrido,

É uma grande sacanagem,

Daquelas do tipo encobertas,

As mesmas que existiam na antiguidade,

Quando se faziam de tudo na impunidade,

Não,

Não vou mostrar a desgraça que se abateu na cidade,

O sofrimento de quem a tudo perdeu,

Dos telefones que estavam todos fora de operação,

Livrando claro nossos bombeiros que sempre estão em prontidão,

Tentam em seus esforços descomunais,

Dar alento ao sofrimento dos mortais,

Não,

Não farei noticiário da desgraça anunciada,

Enquanto nossos governantes se escondiam em suas fantasias,

E o povo como sempre bobo se acabava em alegria,

Alegria essa muitas vezes a base da embriaguez,

Bebe-se para tudo nesse mês,

E assim vai se empurrando um país de barriga,

Onde quem muito fala ou some ou vai pra vala,

Não,

Tentarei trazer ao cidadão o que ele mais gosta,

O sonho de quase a totalidade dos brasileiros,

A imagem que encanta e encantou no passado,

Aquele amarelo escuro canário,

Que gritava em voz alta de querer,

Todos juntos vamos, pra frente Brasil, Brasil,

Vamos juntos fazermos por merecer.

seal

Publicado em POEMA | Marcado com , , , , , | 2 Comentários

BRASIL A TERRA DO NUNCA

 

BRASIL A TERRA DO NUNCA

 

BRASIL A TERRA DO NUNCA

por Cláudio El-Jabel

 

 

Tenho evitado ao máximo entrar pela mata,

Mesmo porque a cada dia elas vão sendo marcadas,

Tornaram-se território da destruição,

Todos invadem e pegam o que podem,

Aquela mata dos meus tempos só em lembrança,

Quem diria aqui mesmo eu vi,

Japeri,

Uma cidade que era sinal de preservação,

Hoje em plena destruição,

E assim vão derrubando a tudo,

Não é para pasto nem para cultivar nada,

É a forma que os sem teto encontram para se apossar,

O nosso país coitado a muito se perdeu,

Virou a terra do nunca,

Pois nunca se cumpriu,

Tudo aquilo que se prometeu.

seal

Publicado em POEMA | Marcado com , , , , | 8 Comentários

EM BUSCA DA LUZ

 

EM BUSCA DA LUZ

 

 

EM BUSCA DA LUZ

por Cláudio El-Jabel

 

Sentimentos,

Algo que se aflora,

Talento,

Muito se fala,

Pouco se sente,

Sentir algo,

Não necessariamente precisa ser com a gente,

Sentir tem suas diversas nuances,

Por vezes dizemos sentir amor,

Noutras apenas paixão,

Há quem sinta o ódio,

A discórdia, desilusão,

Sentimentos vivem na flor da pele,

Se assim podemos afirmar,

Basta um pequeno toque,

Para que ele possa acordar,

Uma vez em uma de minhas meditações,

Pedi algo que não incentivo a ninguém o fazer,

Esse pedir é um evocar ao interior,

Buscar o que há dentro de nós,

Nas entranhas do próprio eu,

Pedi para saber como era a morte,

O que sentíamos após a mesma acontecer,

Essa experiência me fez abrir uma nova visão,

Pois o que entendemos como sentir,

Após a morte é apenas ilusão,

Continuamos presente,

Vemos a tudo com apenas um porém,

Não há sentimentos,

Não há o que pensamos existir,

Apenas estamos ali, invisíveis talvez,

Mas sem sentimento não há interferência,

É um vácuo, uma ausência,

Isso me deixou muito confuso,

Pois tenho meu sentido de religiosidade,

Não sou de nenhuma religião a bem da verdade,

Já estudei e conheci várias,

E as entendo com fundamentação,

Posso falar delas com propriedade,

E de como cada uma delas tem sua visão,

Parte disso ainda carrego, ainda creio,

Afinal, mesmo tendo uma parte cética,

Por incrível que pareça, também tenho e mantenho as outras duas,

Sim, duas, pois há duas formas de interpretação,

Uma conhecidíssima o religare,

Que significa religar-nos a algo divino ou deidade,

A outra o religio, uma expressão de entendimento,

Revisitar, reler, retornar a visitar,

Essa tríade de entendimento ainda me seduz,

E com elas ainda caminho em busca de encontrar essa luz.

seal

Publicado em POEMA | Marcado com , , , , , | 4 Comentários