PERCO-ME


 

PERCO-ME

 

 

PERCO-ME

por Cláudio El-Jabel

 

Eu me perco,

Sim, verdade,

Perco-me em pensamentos,

Em algumas leituras,

Em belas paisagens,

Em algumas loucuras,

Perco-me de forma diria normais,

Em observações naturais,

Perco-me em coisas ínfimas,

E noutras que não se podem ver mais,

Atribuo tudo isso muitas vezes a própria idade,

Sem saber se é ela uma fantasia ou uma verdade,

Perco-me nas atitudes tacanhas,

Nos gestos imprecisos,

E em todos aqueles que mesmo me relutando, preciso,

Nas coisas que julgo absurdas,

As quais a razão me fazem fazer,

Mesmo havendo a minha incapacidade natural de entender,

Na música que muitos dizem ser bela,

Mas em meus ouvidos só faz ensurdecer,

Aprecio apenas as que fluem como aquarelas,

Pinceladas com delicadeza e cuidado,

Estudadas em cada nota, cada tom,

Somente assim a classificaria sendo algo bom,

Mesmo quando se lançam em contra tempo,

Coisa rara de apreciar-se ao momento,

Exigência da audição,

Do treino musical,

Dos dedos que hoje travados,

Não deslizam mais nos teclados,

Perco-me muitas vezes do sentido da vida,

Daquela que conta história,

Que faz história,

Impregna-se em nossa memória,

Muitas vezes nos enchendo de glória,

E dela não querer mais se distanciar,

Furto-me muitas vezes de meu próprio crer,

Do que de fato devo fazer,

Perco-me do tempo pensado,

Daquilo que um dia elaborei,

Sonhei muitas vezes acordado,

Mas o tempo retirou-me,

E hoje já não mais o sei,

Perco-me nas coisas que estão cheias,

Saturadas de certezas,

Fundamentadas não sei onde ou por quem,

E muitas vezes as analiso e me perco também,

Revolvo o que dizem estar vazio,

Observo com mais atenção,

E percebo muitas vezes ali sim estar cheio,

Repleto de emoção,

Perco-me também nas palavras,

Muitas vezes trocadas,

Ditas ao vento como se fossem besteiras,

E rio delas por não sabê-las guiar,

E assim as deixo,

Não me preocupo e nem mexo,

Questiono sim a cabeça,

E não permito que me abandone,

Pode estar remexida como ciclone,

Mas consigo domá-la a acalmar,

E nesse voltar a pensar,

Revejo e relembro muitas vezes as coisas que atormentam,

Coisas que são fortes e que não se sustentam,

Muitas vezes memórias que machucam,

Ferem e ainda não foram superadas,

Dizem serem as coisas da vida,

E eu digo que não valem mesmo nada,

Procuro o sentido nas coisas que posso ainda sentir,

Nunca nas coisas que mesmo com o trabalho vim possuir,

Refugo tudo que em meu julgo pareça ou esteja errado,

Embalo-me ainda em sonhos indescritíveis,

Das coisas ditas impossíveis,

Das fantasias loucas de Alice,

Ao João e o pé de feijão,

Subjetivo da superação,

Onde sempre acreditei que sim,

E tantos outros me diziam que não,

Esses contos jamais me abandonarão,

Vivem entranhados no meu próprio EU,

Onde sempre os mantenho em apogeu,

Deixo logo ali circulando ao meu redor,

E minha velha mente sempre os encontra,

Retoma tantas vezes necessário uma releitura,

Estudando outros ângulos desse total,

Onde meu mundo em nada reflete o atual,

Ainda assim não vivo na fantasia,

Saio dela todos os dias,

Só as guardo para momentos especiais,

Quando estou só ou mesmo junto aos animais,

Quanto ao meu rebanho,

Onde verifico mais lobos que ovelhas,

Esforço-me mesmo com pequena centelha,

Procuro nelas uma ponta de igualdade,

E torno a perder-me nessa imensa desigualdade,

Não desisto nunca, nem me dou por vencido,

Insisto como o respirar de meus pulmões,

Como a batida contínua de meu coração,

Repetidas como a um tic tac de um relógio infinito,

E mesmo assim, quase que sina,

Perco-me no tempo que se diz meu amigo.

Copyrighted.com Registered & Protected  EHJR-PHPK-CZBC-BPBD

 

Ouça para refletir um pouco…

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Sobre KAMBAMI

Uma metamorfose humana do conhecer e aprender. Simples porém exigente. Bem sobre o autor desse blog, me parece ser um cara legal, gosta de conversar, dar pitacos aqui e acolá. Procuro ser o mais sincero que a vida me permite, adoro amizades, sou tímido acreditem também uma metamorfose ambulante como diria Raul. Adoro cozinhar, mas na escrita sou mesmo comilão, como acento, concordância verbal, minha gramática de fato anda bem mal, mas sou um cara legal. Tenho muito gosto em escrever o que me vem à mente ou o que me chega aos ouvidos e visão, sou um observador nato desde minha aparição. Aqui é um palco de teatro não se engane há muito de quem escreve e muito de fantasia, mas não há bilheteria, então sinta-se a vontade, puxe sua cadeira e sente, estou quase sempre presente, me enrolo muitas vezes nessa de seguir quem me segue, me perco nesse mundo danado de internet. Não sou esnobe, sou pessoa bem simples, gosto da natureza, da boa mesa, do bom papo, não tenho hora, não uso relógio para controlar meu tempo, a muito me deixei ser levado ao vento, ora furioso que me derruba e machuca, ora bondoso que me embala em doçura. Chamo-me Cláudio El-Jabel, também podem me chamar de Kambami ou Kael, adoro distribuir carinho sem intenção outra que não seja da amizade ser bela, ser amiga, ser sincera, entendo que nossa vida é algo muito rápido e nem sempre dá tempo de nos conhecermos melhor, mas essa é minha apresentação, muito prazer, eu não esqueço vocês, já os tenho em meu coração, sejam bem vindo então.
Esse post foi publicado em POEMA, REFLEXÃO, VÍDEO e marcado . Guardar link permanente.

6 respostas para PERCO-ME

  1. Viajei aqui, querido Cláudio! Esplêndido ✨

    Curtido por 1 pessoa

  2. Esse seu se perder veio como um se achar… Como em atingir uma oitava maior na espiral da vida… Belíssimo!

    Curtido por 1 pessoa

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