Um conto sobre Lobisomem…


LOBISOMEM

Um conto sobre Lobisomem…

 

Sou homem de fogueira, nesse frio então como me faz falta uma lareira. Queria mesmo estar no campo, mas nem tudo podemos fazer, então penso que em férias posso e mais uma vez somente eu é quem gosto isso seria muito egoísmo de minha parte e abro sempre mão, não vou para o mato e sim para locais com multidão.

Não tenho nada contra, até é interessante reunir-se com amigos, jogar conversa fora, ficar de papo pro ar, trazer aqueles causos que eu pelo menos gosto de contar. Essa foi a vez que contei um fato antigo lá do Sul mais precisamente de Tupanciretã, onde minha vó materna tinha sua fazenda, hoje apenas em família pois ela já partiu, mas contava-me os causos que ela lá sempre viu.

Na época o que criavam era gado, hoje quase tudo virou soja, mas havia além dos bichos as plantações normais que todo fazendeiro mantem para seu sustento, seja uma roça de milho, de trigo, de feijão além da criação de porcos, ovelhas, galinhas e tudo mais que fazia da fazenda um local perfeito com tudo que se tem direito.

Numa bela noite enluarada, minha vó me conta que os cachorros da fazenda latiam muito, pegou seu bacamarte e foi lá fora, em direção à roça de milho. Não havia ladrão na época, mas sim animais selvagens que poderiam aparecer para furtar suas presas. Era lugar que tinha desde gato palheiro, onça pintada até puma, logo um bacamarte era mais que necessário para investigar e por o bicho pra correr.

Esperta, com sangue de portugueses e índio correndo nas veias, além de boa fazendeira, minha avó era bem mateira, além de boa rezadeira. Entendia também muito das ervas e sabia preparar bons remédios. Foi ela quem me curou de asma ou bronquite não sei bem, usando uma mistura de erva com pele de rã torrada, e quando eu tossia pela friagem o leite quente com folha broto de laranjeira, era certeira, bastando tomar e a tosse vir terminar.

Sempre dei muito valor ao que minha avó contava, depois de grande até coloquei alguns contos em dúvida como o caso do Lobisomem que apareceu no milharal. Dizia minha avó que ele não era bicho do mal, mas apenas marcava sua visita nas noites de lua cheia, onde entrava pelo milharal e lá fazia suas besteiras. Derrubava alguns pés de milho, e sempre atacava uma ovelha, somente dessa vez que ao avistar minha avó cometeu o erro de confundi-la e na tentativa de se chegar levou um tiro de bacamarte para nunca mais voltar.

Minha avó nunca foi clara se matou o bicho e por lá mesmo enterrou, mas sempre nos avisou de não andar pelo milharal nas noites de lua cheia, para não ser surpreendido pela tal coisa que ninguém sabe dizer se é bicho, homem ou criatura.

Eu assim como minha avó já vi Lobisomem e posso afirmar que não foi nada bom, era como um cão enorme negro como carvão e do pescoço a cabeça uma juba de Leão. Seu tamanho é de assustar, me encarou de frente e mostrou os seus dentes mas não me atacou, atravessou a rua e para dentro do matagal se adentrou.

Confesso que não vi maldade em seu olhar e sim medo, não sei se por encanto ou por segredo deva ele saber de quem eu era neto e preferiu se evadir bem discreto, para nunca mais voltar.

Bem quem viveu em roça sabe que os causos são contados, nunca podemos dar provas, mas  juro por todos os santos que mentir sobre tal coisa nunca vou.

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Sobre KAMBAMI

Quode natura date, nemo negare potere.
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8 respostas para Um conto sobre Lobisomem…

  1. Eu nunca vi… Mas estando numa fazendo onde a Lua Cheia resplandecia num arrozal… E após ouvi os causos contados… Dormi com a janela fechada 😀

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  2. antoncaes disse:

    Hay muchas historias que tienen algo de verdad y algo de leyenda, hay que preocuparse de la parte de verdad. 😉 Un abrazo amigo.

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  3. Eu morei até meus seis anos junto com meus avós, conheço bem tais histórias e já ouvi algo fora do comum sim que me deu muito medo na época, na manha seguinte ela vinha sorrindo e contava, “ontem tivemos uma visita no galinheiro”, não preciso dizer que era não é? hehehe abraço meu caro colega!

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  4. Adoro essas histórias e tenho saudades da época que sentávamos, eu e meu irmão, e ficávamos de olhos e ouvidos atentos as histórias da avó. Muitas se repetiam infinitamente, pois ao sentar já íamos dizendo: Vó, conta de novo aquela…
    Delícia de tempo esse que não volta mais!
    Abraço…

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