BOCA CALADA


BOCA CALADA

BOCA CALADA

Por Cláudio El-Jabel

Às vezes finjo que penso,

Noutras penso que finjo,

Às vezes durmo em sonhos,

Noutras sonho que durmo,

Às vezes penso ser forte,

Noutros forte é o que penso,

Às vezes aquieto-me em palavras,

Noutras as palavras me aquietam,

Às vezes me perco nas matas,

Noutras nas matas me perco,

Às vezes fico sem nome, sem cara, sem ser,

Noutras me imponho, encaro, nomeio,

Ser humano, corpo inteiro,

Ouço o reclame, analiso o que amarga,

Vidas perdidas, sem formas, largadas,

Ser brasileiro estampado na cara,

Às vezes me vejo sacana, canalha,

Tudo é o tempero que às vezes se esquece,

Como salgada é a lágrima de quem se emudece.

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Sobre KAMBAMI

Quode natura date, nemo negare potere.
Esse post foi publicado em METÁFORA, POEMA, POLÍTICA, REFLEXÃO e marcado . Guardar link permanente.

5 respostas para BOCA CALADA

  1. Republicou isso em Translaturee comentado:
    Dessa vez, nao vou falar nada sobre o autor do poema porque não conheço; nenhuma introdução, nenhuma apresentação daquelas que eu geralmente gosto de fazer neste espaço pessoal, mas val a pena curtir e divulgar. Adorei e vou reblogar, pois, a matéria principal do meu blog ainda não tem forma, mas há várias coisas que a compõem: a questão da identidade no mundo contemporáneo, as contradições, as histórias (contadas e não contadas ou mal contadas)… Este poema, que achei muito engraçado, bem me exprimiu a complexidade da noção da identidade.

    Curtido por 1 pessoa

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