UMA METÁFORA ( O BURRICO )


Tudo que recebo dos amigos e que tragam algum ensinamento eu os guardo e agora os reproduzo para que outros também possam usufruir e meditar sobre os temas.
O BURRICO é uma metáfora que mostra muito do que pode ocorrer em comunidades abertas ao qual ou se fala o que querem ouvir ou ocorre a discriminação ao pensamento diferenciado. Trata-se do conhecido PRECONCEITO que não significa apenas sua relação a raças, ou etnias, o preconceito é algo humano e todos carregam ele em diversas formas e concepções.
 

O BURRICO

 
Após a introdução dos moares pelos europeus no território africano, alguns Anciões de uma aldeia, tiveram a idéia de verificar o que aconteceria com um inocente burrico, sem dono, solitário, exposto às investidas da população. O burrico perambulava pelas ruas do lugarejo, nas quais provocava as mais diversas reações. Algumas pessoas se apiedavam dele e lhe davam comida, outros, amistosos, chegavam a pendurar enfeites em seu pescoço. Mas, havia outros, que diante de um animal passivo, deixavam vir à tona seu sadismo. Agrediam com paus e pedras o burrico, ateavam fogo em seu rabo.
 
Para os anciões, o animal era apenas um parâmetro neutro, a partir do qual as pessoas daquela aldeia se revelavam, generosas, amorosas, brutais, insensíveis. Ele permanecia imutável em sua condição de quadrúpede, um tanto inerte. As pessoas é que se diferenciavam entre si e a partir dele. O burrico é uma boa metáfora para a maneira como cada um de nós usa a linguagem verbal. Nós falamos e escrevemos de um determinado modo. Temos um certo vocabulário, um sotaque próprio, um modo de construir as frases, provavelmente encantemos algumas pessoas pelo modo como nos expressamos. Mas em contrapartida, talvez irritemos a outros.
Mas, irritação pode simplesmente resultar de uma predisposição do nosso ouvinte/leitor para nos desqualificar por não falarmos ou escrevemos como ele desejaria. Ele, talvez se sinta contrariado porque gostaria de nos impor a sua própria maneira de falar ( ou escrever). Não admite que façamos isso de um jeito diferente. Portanto, se aborrece porque não pode controlar o uso que fazemos das palavras. O certo é, que quanto um número razoável de pessoas com tal predisposição, se juntam no nosso ambiente, sofremos como o burrico naquela aldeia, ainda que ninguém ateie fogo em nossas vestes, nem nos bata com um pau, ou atire pedras, mas façam o uso inconseqüente e irresponsável da palavra, quando não leviano.
Nestas circunstâncias aprendemos que há um controle impregnado de intolerância, apenas porque em algumas coisas, falamos diferente do que aqueles que se julgam donos da religião ou donos das verdades. Más ao longo da vida, vamos aprendendo que assim como temos que dispor de uma roupa para irmos à um casamento, temos que dispor de  outra para ir a um enterro.
O burrico da aldeia não era capaz de tanta versatilidade. Por isso ficava vulnerável ao ódio daquele ambiente social.( Um presente de Iya Omileke)
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Quode natura date, nemo negare potere.
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Uma resposta para UMA METÁFORA ( O BURRICO )

  1. marilene disse:

    Olá Sr. Claudio. Obrigada pela publicção do texto, que fora do contexto, talvez não tenha o mesmo impacto. só queria, como dizemos nos paulistas "Ponha reparo" no início do txto, onde se lê "Mouros", o certo é "Moares".De resto, parabéns pelos textos publicados. Pena que perdemos contato, pois o Sr. não tem tespondido meus envios.Saúde e sorte.Iya Omileke

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